10 de fevereiro de 2012

1 de fevereiro de 2012

6 de setembro de 2011

Retoque no Centro Cultural Jabaquara

Faremos nova apresentação do Retruque/Retoque, livro-cd parceria minha com o poeta paraense Paulo Vieira. Desta vez, contaremos com a participação especial de Sidnei de Oliveira e sua viola. O show vai acontecer no Centro Cultura Jabaquara, bem perto do metrô de mesmo nome. Entrada franca.

20 de julho de 2011

Gui Amabis

Um vagaroso animal que se arrasta em meio a um magma formado de passado, memória, lembrança e dor; assim me parece Gui Amabis. Sem conhecê-lo, tomado pela audição recorrente e infinitamente repetida, não consigo ouvir da segunda faixa em diante. Há muito que uma única canção, como uma peça em separado de toda a história, não me arrebata e me anula com essa força, me obriga a retornar como um insano aos elementos que se expõe e se escondem, melancólicos e mudos, assustadores. Uma canção de morte ou a morte da canção em estado bruto. O que quer que seja enfim, bela... como a morte.

Ouça:

Dois Inimigos (Gui Amabis)

Gui Amabis: Voz, teclados e baixo eléctrico
Thiago França: Sax tenor

Eu nasci trinta e quatro anos faz e a febre sempre está nos postais.
E pensar em meus pais e meus avós, que sou dois inimigos em um só.
E a batalha continua franca e aberta, só que agora trava na goela.
Tanto faz quem inicia a paz, contanto que ninguém volte atrás. 


BR6G71100001

Gui Amabis: Voz, teclados e baixo eléctrico
Thiago França: Sax tenor

Eu nasci trinta e quatro anos faz e a febre sempre está nos postais.
E pensar em meus pais e meus avós, que sou dois inimigos em um só.
E a batalha continua franca e aberta, só que agora trava na goela.
Tanto faz quem inicia a paz, contanto que ninguém volte atrás. 

4 de março de 2011

EXCEÇÃO


Quando entrei no curso de filosofia da UFPA, em 1991, o professor Benedito Nunes já não ministrava disciplinas regulares, aquelas pertencentes à grade curricular obrigatória; creio que, naquele ano, já estivesse aposentado. Foi minha primeira decepção com a filosofia: não ser seu aluno. Não fosse ter sido depois aluno do seu melhor discípulo, eu teria abandonado muito cedo a vida acadêmica.

Como resultado, o nome do professor Benedito desde sempre foi para mim um mito – principalmente porque nunca consegui atender as recomendações contrárias a essa idolatria tola, feitas justamente pelo referido discípulo. Isso teve, pelo menos, duas consequências: o endeusamento ingênuo e a distância. Desta última, pude me livrar em parte, pois o encontrei pessoalmente anos depois, sempre em ocasiões agradáveis onde ele me recebeu com a gentileza que todos conheciam, mas nunca deixei de me relacionar com ele na posição do mortal que tinha diante de si uma visão. Tentei sempre garantir que ele não percebesse esse meu traço limitado em nosso pouco contato.

Recentemente descobri, graças à sua impressionante memória, que minha tia-avó Lucy Burnett e suas tias se frequentavam nos tempos áureos de uma capital paraense distinta e, ao que parece pelas lembranças dele, mais delicada. Uma alegria que não fiz nenhuma questão de esconder quando estive pela última vez em sua casa há uns dois anos atrás, porque esta tia-avó, ao distribuir sua pouca herança, certa vez me chamou ao pé de sua cama meses antes de sua morte e disse: “gostaria de deixar a você uma coisa que ninguém mais na família gostaria de ficar, e sei que você pode fazer bom proveito”.

Eu era um adolescente e recebi pouco tempo depois algo que marcou profundamente minha vida e meu futuro: uma estante de madeira com portas de vidro. Dentro dela, 300 livros em três idiomas. De literatura francesa e inglesa até clássicos de Drummond e Guimarães Rosa, a estante abrigava todos os livros que ela acumulara durante a vida e as viagens à Europa. Uma honra que jamais esqueci.

A história se encarregou de vincular esse dado familiar com a figura do professor Benedito, que para mim foi o primeiro sinônimo do grande leitor e de alguém que possuía uma biblioteca pessoal. Sua coleção de livros foi motivo de comentários nos corredores do pavilhão D do ciclo básico da UFPA durante toda a graduação, sempre envoltos de grande admiração.

Já morando em São Paulo, a partir de 1999, pude perceber que aquele mito extrapolava as fronteiras locais e era cercado de uma curiosa unanimidade. Nunca ouvi ou li nada crítico contra Benedito Nunes, e isso num ambiente impregnado pela soberba e pelo orgulho, para dizer o mínimo. Com o tempo, pareceu mais claro o motivo do respeito irrestrito que ele impunha mesmo diante de um auditório repleto dos filósofos mais famosos do país. Benedito Nunes era um intelectual de uma época que não existia mais; um leitor e crítico da mesma estirpe de um Antônio Candido. E como este, não era livre de severas, ainda que veladas críticas.

Não é fácil compreender o que isso significa num meio universitário que em nada lembra a livre troca de ideias entre intelectuais humanistas que um dia já existiu no Brasil, e da qual o professor Benedito é nosso maior representante na Amazônia. Hoje, no máximo, podemos supor o que significa ser um humanista, e não um reles especialista preocupado com produtividade intelectual. Benedito era um dos únicos filósofos capazes de uma penetração ostensiva na história da filosofia, da literatura e do corpus dos saberes humanos em geral; isso fazia dele uma lenda, mas também um professor cada vez mais difícil de encaixar num congresso de filosofia – desses que somos quase obrigados a participar, quase nunca com prazer. A impressão de vazio que sentimos depois de sua morte é proporcional à sensação de que, em nossa pequenez, jamais poderemos segui-lo.

Henry Burnett é professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de São Paulo
(texto publicado no jornal O Liberal - Belém - 01.03.2011

16 de dezembro de 2010

Programa de rádio em Buenos Aires

Amanhã, dia 17, Jose Luis Ajzenmesser recebe a Florencia Bernales ao vivo em uma rádio de Buenos Aires no programa La Guagua, link aqui. Vão conversar sobre nosso disco, Interior.17h.